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Formação continuada fortalece práticas de leitura e escrita na Educação Infantil da rede municipal

Professoras e coordenadoras da pré-escola participam de novos encontros formativos e aprofundam estratégias para aproximar as crianças da cultura escrita de forma significativa e respeitando as especificidades da infância

Professoras e coordenadoras da pré-escola da Rede Municipal de Ensino de Teixeira de Freitas participaram, no dia 7 de agosto, de mais uma etapa da formação continuada sobre Leitura e Escrita na Educação Infantil. A atividade reuniu o 5º e o 6º encontros formativos, realizados nos períodos da manhã e da tarde, com condução da formadora municipal Ana Caroline Santos Santana e articulação de Samantha Neres.

A iniciativa faz parte do processo de formação permanente dos profissionais da rede e busca fortalecer práticas pedagógicas que ampliem as experiências das crianças com a oralidade, a leitura, a escrita e as diferentes formas de expressão.

Literatura, oralidade e expressão como ferramentas de aprendizagem

Durante a programação da manhã, as profissionais participaram de experiências envolvendo oralidade e expressão corporal, além de uma formação leitora a partir da obra A colcha de retalhos, de Conceil Corrêa da Silva e Nye Ribeiro.

A atividade também promoveu reflexões sobre a mediação da leitura e a importância da condução de boas rodas de conversa.

A proposta parte de uma compreensão importante: na Educação Infantil, um livro não precisa ser utilizado apenas para apresentar uma história. A leitura pode estimular conversas, lembranças, imaginação, expressão corporal, criação e interação entre as crianças.

Esse entendimento está alinhado às orientações nacionais para a Educação Infantil. As Diretrizes Curriculares Nacionais estabelecem interações e brincadeiras como eixos norteadores das práticas pedagógicas e destacam a importância de experiências com narrativas, linguagem oral e escrita e diferentes gêneros e suportes textuais.

Letramento não significa antecipar a alfabetização

No período da tarde, a formação avançou para um dos pontos centrais do trabalho: o papel da Educação Infantil na aproximação das crianças com a linguagem escrita.

Foram discutidas práticas de oralidade, leitura e escrita, situações reais de utilização da escrita e experiências de letramento presentes no cotidiano infantil, além da continuidade do trabalho de percurso desenvolvido pelas professoras cursistas.

É importante diferenciar letramento de alfabetização formal.

Na Educação Infantil, aproximar a criança da cultura escrita não significa transformar a pré-escola em uma antecipação do Ensino Fundamental. Significa proporcionar experiências em que ela possa ouvir histórias, manusear livros, observar textos, conversar, cantar, brincar com palavras, reconhecer a função da escrita e formular suas próprias hipóteses.

A própria BNCC estabelece que as crianças participem de situações de leitura e escrita e tenham contato com diferentes linguagens, valorizando experiências de comunicação, expressão, imaginação e participação na cultura.

Por que essa formação é importante?

A formação continuada tem impacto que vai além do aperfeiçoamento profissional das educadoras. A qualidade das experiências oferecidas às crianças depende diretamente da capacidade dos profissionais de planejar, mediar e avaliar as situações de aprendizagem.

Quando uma professora amplia seu repertório para trabalhar literatura, oralidade e escrita de maneira adequada à faixa etária, ela consegue transformar situações comuns do cotidiano em oportunidades de aprendizagem.

Uma roda de conversa, por exemplo, pode estimular a capacidade de argumentar e narrar experiências. Uma história pode ampliar o vocabulário e a imaginação. Uma lista, um cartaz, uma agenda ou uma identificação dentro da escola podem mostrar à criança que a escrita possui funções concretas no mundo em que ela vive.

O Ministério da Educação também destaca práticas que utilizam histórias, música, brincadeiras, desenho e situações reais de leitura e escrita para estimular a oralidade, a criatividade e o interesse das crianças pela linguagem.

A criança como protagonista das experiências

Outro aspecto importante é compreender a criança não como alguém que apenas recebe informações, mas como sujeito ativo na construção de conhecimentos.

Ao conversar sobre uma história, fazer perguntas, interpretar uma ilustração, tentar escrever o próprio nome, criar uma narrativa ou participar de uma brincadeira com palavras, a criança está construindo relações com a linguagem e com a cultura.

Esse processo precisa respeitar o tempo, as características e as formas próprias de aprendizagem da infância.

Por isso, a proposta não é simplesmente fazer com que a criança aprenda a ler e escrever mais cedo, mas criar uma relação positiva e significativa com a linguagem, preparando terreno para as aprendizagens que serão sistematizadas posteriormente.

Formação terá continuidade

A etapa realizada em agosto também integra um processo contínuo de acompanhamento das profissionais da rede municipal. A proposta prevê a continuidade do trabalho de percurso desenvolvido pelas cursistas e a realização de novos encontros formativos.

Ao investir na formação continuada, a Secretaria Municipal de Educação fortalece não apenas o trabalho das professoras e coordenadoras, mas toda a experiência educacional oferecida às crianças da rede.

Na Educação Infantil, aprender a ler e escrever começa muito antes da alfabetização formal: começa quando a criança descobre que histórias podem ser ouvidas, palavras podem ser compartilhadas, livros podem ser explorados e a escrita pode fazer sentido em sua própria vida.

Fontes de referência: Base Nacional Comum Curricular (MEC) e Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.